FONTE - ROSTOS ON LINE
Carlos Humberto, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, começou por sublinhar a importância do território da Quimiparque para o concelho do Barreiro e a sua centralidade no contexto do Área Metropolitana de Lisboa e Península de Setúbal.

 

Potenciar a frente de rio

“As questões da Quimiparque são uma tema central, essencial, para o desenvolvimento do concelho do Barreiro.
A Câmara Municipal, desde que assumiu o mandato, considera que este é o projecto mais importante que se coloca ao concelho do Barreiro para que ele tenha um desenvolvimento sustentável e para a construção do seu futuro.
Nós consideramos que aquele território da Quimiparque tem que ser no século XXI o que foi no século XX, ou seja um território que traga desenvolvimento, que traga novas tecnologias.
Se olharmos para o princípio do século XX, quando aquele território se transformou em zona industrial, verificamos que, na altura, era um pólo de novas tecnologias.
Nós consideramos que o território actual da Quimiparque tem que ser necessariamente um território, que tenha esta valência, que traga desenvolvimento económico, que traga emprego, que traga modernidade, mas que, compatibilize com isso, uma nova estrutura urbana, que alargue o centro da cidade e que o feche. Um território que tenha habitação, que tenha serviços, que seja um pólo de actividades lúdicas, recreativas, de bem estar, que aproveite os 3 km de frente de rio.
Digo-lhe que este é o grande objectivo da Câmara, podemos dizer que relativamente a esta matéria, não há diferenças de opinião, substanciais, entre a Câmara e o Conselho de Administração da Quimiparque. Posso dizer mesmo que há acordo.
A questão é saber que metodologia utilizar, como construir estes objectivos.
Para nós é essencial que se encontre uma solução, uma estratégia, uma ideia, que seja sustentada e que seja sustentável.
Portanto, mais que fazer o desenho urbano, é preciso ter a ideia e o desenho urbano dar suporte a uma estratégia, não tanto fazer um desenho urbano, por desenho urbano. O importante é definir uma estratégia e que o desenho urbano suporte essa estratégia.
Paralelamente é preciso que essa estratégia tenha uma sustentabilidade económica, porque se não, não é estratégia.
O que estamos a trabalhar, em conjunto, com o Conselho de Administração da Quimiparque é nesta direcção, por isso é que se contratou o Arquitecto Manuel Salgado e o Economista Professor Augusto Mateus, para nos ajudarem a construir a estratégia, eventualmente, algumas ideias para o desenho urbano e a sustentabilidade económico-financeira da estratégia.”

Definir estratégia

Esses técnicos já estão a trabalhar ?
“Sim. Estão os dois a trabalhar. Já realizamos contactos e várias reuniões. Vai realizar-se uma reunião conjunta da Comissão de Acompanhamento que foi constituída, pela Câmara e Conselho de Administração da Quimiparque, com o Arquitecto Manuel Salgado e o Professor Augusto Mateus, no final deste mês. Está marcada. Essa reunião será a data de partida formal.
Temos a ideia que nos próximos seis meses, até às férias, queremos termos ideias estratégicas.”

Não deitamos nada fora

Vão ser equacionadas ideias que já estiveram sobre a mesa?
“Nós não deitamos nada fora. Construímos não a partir do que existe, mas com o conhecimento do que existe. Não vamos partir do zero. O que existe teremos em conta.
Não quer dizer que aquilo que se vai fazer tenha que integrar tudo o que existe.
Naturalmente, todos os trabalhos anteriores, quer do Arquitecto Manuel Salgado, quer o Masterplan teremos em conta.”

Qual o papel da Comissão de Acompanhamento?
“A Comissão de Acompanhamento tem a função de acompanhar, a par e passo, a feitura do Plano Estratégico, ajudar a clarificar e a propor medidas ao Conselho de Administração da Quimiparque e à Câmara municipal do Barreiro.
Na Comissão serão feitas as discussões fundamentais, não tanto das linhas fundamentais, porque essas competem à Câmara e ao Conselho de Administração, mas sim, acompanhar, no terreno, a execução deste projecto”.

A Oposição critica o facto de não estar presente nessa Comissão de Acompanhamento?

“Eu penso que isso não tem razão de ser, porque aquela Comissão de Acompanhamento não é uma Comissão de Acompanhamento no sentido de discutir, é uma Comissão de Acompanhamento no sentido de executar, do fazer, de gestão concreta, de gestão quotidiana.
Não tinha sentido nenhum, sendo uma Comissão de Acompanhamento formada pela Quimiparque e pela Câmara e, sendo este um projecto que o Presidente acompanha directamente, que se fosse transportar para uma estrutura que gere o quotidiano, que é técnica, transformá-la num espaço de discussão política.
Essa discussão política deve ser feita nos órgãos autárquicos, e, naturalmente, acho que não devíamos politizar, no sentido de partidarizar este projecto, porque ele é demasiado importante ( sei que tudo é política).
No entanto, ao nível da discussão pública, essa discussão tem que se fazer, porque este projecto pela dimensão que tem e, também, pela concepção que tenho de participação democrática e de cidadania, na vida do concelho, o desenvolvimento deste projecto tem que ser acompanhado pelas populações.

Cidade de duas margens

Tudo o que venha a ser feito na Quimiparque, implica revisão do PDM?
“Implicará concerteza revisão do PDM. Como sabe o PDM limitou-se, relativamente à Quimiparque a constatar o que existia e a manter o que existia – zona industrial.
Portanto, o que vier a ser feito, terá que ser integrado ou na revisão do PDM, se ele estiver já avançado suficientemente, ou, pelo contrário, encontrar-se um instrumento de gestão que só por si altere o próprio PDM.
É preciso, neste momento, ter presente que no território do Barreiro, todas as soluções para um território com as dimensões do território da Quimiparque, com quase 300 hectares, precisam ter presentes aspectos que, hoje, estão em discussão e a clarificar ao nível da Área Metropolitana de Lisboa e do próprio país.
Nomeadamente a estratégia, promovida pela CCDR Lisboa e Vale do Tejo Lisboa 2020, a questão da nova travessia do Tejo, que passará pela Quimiparque, atravessando a Quimiparque, com as duas versões ferroviárias – a ferroviária tradicional e a alta velocidade, eventualmente, também a função rodoviária, que ficará clarificado até Março deste ano.
Isto introduz alterações profundas no território, obrigando a alterações que é preciso ponderar, como o Terminal de Líquidos, por exemplo, para além de outras matérias, como as Plataformas Logísticas, caso do Poceirão, e a sua articulação com o território da Quimiparque, ou o Plano Estratégico do Porto de Lisboa e o que ele representa e quer para o Porto da Quimiparque e para toda a zona ribeirinha.
São todo um conjunto de aspectos, demasiadamente importantes, que terão que ser considerados, nas alterações que possam vir a ser concretizadas no território da Quimiparque, que deverão ser articulados com esta visão estratégica que está a ser construída.

Por outro lado, nós pensamos que o território da Quimiparque tem que ser um elemento essencial para levar à prática, aquilo que o PROT da Área Metropolitana de Lisboa considera, e, devo sublinhar que, quer como Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, quer como Presidente da Área Metropolitana de Lisboa, acho uma ideia muito interessante que é preciso concretizar, ou seja, a construção da “Cidade das duas margens”, reconhecendo que o Tejo, não é um elemento que separa a margem norte, da margem sul, da Área Metropolitana de Lisboa, o Tejo é um elemento de ligação entre a Margem Norte e a Margem Sul.
Portanto, a centralidade desta região, da maior região do ponto de vista populacional portuguesa, que é a Área Metropolitana de Lisboa, tenha como seu centro aglutinador o próprio Tejo.
Paralelamente, há a ideia do próprio PROT, que nós precisamos de um território polinucleado, isto é, independentemente, da sua grande centralidade que é Lisboa, deve ter no território várias centralidades.
Penso que o Barreiro, com a Quimiparque, pode ser uma dessas centralidades. Tem que ser, nós temos que intervir e lutar para que seja uma dessas centralidades da área Metropolitana de Lisboa.
Para tudo isso, para além de termos o território, termos a estratégia, termos a sustentabilidade ambiental, financeira, precisamos que haja, da parte da Administração Central, uma visão que é preciso desconcentrar, descentralizar, serviços que hoje estão na capital, para os concelhos limítrofes. Isto pode ser um importante contributo.
De referir que o concelho do Barreiro, para além de se inserir na Área Metropolitana de Lisboa e na Península de Setúbal, insere-se nesta corda ribeirinha do Tejo e, penso, que é preciso olhar para esta zona em conjunto.
Nós temos, neste território, em Almada, no Seixal e no Barreiro, três territórios que têm que ser complementares – a Margueira ( antiga Lisnave), o antigo território da Siderurgia e o antigo território da CUF/Quimigal, agora Quimiparque.
Para estes territórios é preciso que haja uma visão de conjunto integrada, não tanto para avançarmos todos ao mesmo tempo, não tanto para atrasarmos os projectos, mas, para se articularem as decisões. Esta é uma questão essencial, de forma a que, estas três áreas e estes três territórios se articulem melhor entre si, porque para além da visão global, é preciso que facilitemos a mobilidade intra regional.
Todos nós conhecemos o que é ir do Barreiro para Almada, para estudar no pólo da Caparica.
Por isso, considero que é preciso que se tomem medidas, com uma visão integrada e sustentável do território.
É preciso que o Metro Sul do Tejo chegue ao Barreiro. É preciso que se construa a alternativa à estrada regional 10. É preciso que se concretize a CRIPS”

Desejo a Cidade do Cinema

Tem sido referida a necessidade dos projectos da Quimiparque serem considerados PIN. Já houve alguma abordagem com o governo sobre esta matéria?
“Nós temos conversado com muita gente sobre o território da Quimiparque. Não há ninguém que não considere a importância que o território da Quimiparque tem, para o concelho do Barreiro, em primeiro lugar, mas também para a região e para o país.
Não afastamos a possibilidade do território da Quimiparque ser um PIN. Mas, um PIN, mais que um grande território são projectos concretos. Uma grande empresa, um grande equipamento…”

Temos o caso da Cidade do Cinema? Como está esse projecto? Há ou não Cidade do Cinema?
“Sim, esse é um exemplo. Se me pergunta qual é a disponibilidade, a opinião, o desejo do Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, eu digo: Sim, quero a Cidade do Cinema.
Agora, nós, já provámos, que não tínhamos abandonado o projecto da Cidade do Cinema. Já provámos que fizemos esforços para que ela se localize no Barreiro. Que temos interesse. Que não estivemos à espera que as coisas acontecessem. Mantemos contactos.
Mas, de acordo com contactos recentes, mantém-se a necessidade absoluta e imperiosa, que os investidores façam a proposta de PIN, neste caso à Agência de Investimentos, para que todo o processo se possa desencadear.
Portanto, por nós, haverá Cidade do Cinema.”

Futuro do Bairro das Palmeiras

A situação do Bairro das Palmeiras, a solução passa pelo desenvolvimento do projecto na Quimiparque?
“O Bairro das Palmeiras é uma questão que temos debatido muito, é uma preocupação. Naturalmente há várias hipóteses, há várias soluções.
É preciso tornar claro, entre outras coisas, a evolução das questões da Quimiparque, pelo que a solução pode estar ligado a esse processo do território da Quimiparque, sendo necessário, também, conhecer o traçado da nova ponte e, particularmente, a localização do pólo Oficinal para a Alta Velocidade, que, em principio se situará no concelho do Barreiro.”

Nova Ponte para o Barreiro

A nova ponte vai ter transporte ferroviário de carácter urbano. Vai ter uma Estação, no Barreiro?

“A ponte fará ligação à Linha do Sado. Vai ter uma Estação. Mas essas questões não estão completamente arrumadas.
Tudo indica que, a ponte, depois da Estação da Baixa da Banheira, começara a inclinação para na travessia, na direcção da Avenida das Nacionalizações. Poderá existir, por aí, uma Estação. O TGV vai em túnel.

Ligação Lavradio - Barreiro

Como está a ligação do Barreiro ao Lavradio, por dentro da Quimiparque?
“Nós, quando assinamos o Protocolo com o Conselho de Administração da Quimiparque, tínhamos um conjunto de anexos, que referenciavam acções de curto e médio prazo.
Uma delas era o atravessamento do território da Quimiparque. Esta é uma matéria que estamos, neste momento, em discussão com o Conselho de Administração da Quimiparque. É um aspecto que está a ser ponderado, tendo em conta funcionalidade e segurança das instalações.
O atravessamento retoma o antigo troço de ligação ao Lavradio, retomando-a, eventualmente com um percurso provisório. É um assunto em discussão.
Outro assunto, referia-se ao terreno para a construção da ETAR, já está disponível para que a Câmara o assuma, para o ceder à SIMARSUL.
Estamos, também, a preparar as comemorações do centenário da CUF.”

Oficinas CMB na Quimiparque

Como está a situação da transferência das Oficinas da Câmara do Nicola para a Quimiparque?
“É uma perspectiva próxima. Falta acertar em concreto, algumas questões técnico-administrativas ou financeiras. Há o acordo de princípios, mas não podemos avançar mais, porque estamos a analisar áreas, valores.
Poderemos, eventualmente, dentro de um ano, um ano e pouco, já estar a funcionar na Quimiparque, é esse o nosso desejo.”

Fábrica de Blindados

A Fábrica de Blindados também irá para a Quimiparque?
“Nós, quando tomámos conhecimento, no princípio do mandato da existência desta unidade industrial, tomámos a iniciativa de contactar os empresários, para conhecer o projecto e manifestar a nossa disponibilidade para ajudar no que fosse necessário.
Porque, consideramos, como sempre temos afirmado, que as questões de desenvolvimento económico são as mais importantes para o concelho do Barreiro, a criação de emprego, portanto esta área merece a nossa atenção.
Registámos que os empresários estavam a estudar a possibilidade de novas instalações, existindo dificuldades em encontrar alternativas.
Manifestamos disponibilidade para, com os proprietários, tentar encontrar alternativa: Colocámos sugestões. Uma delas foi a Quimiparque, para as instalações de 2112, ou mais cedo, depende da evolução empresarial.
Não se trata de mais do que isso, são hipóteses de trabalho, caso se pretenda construir novas instalações. Uma das hipóteses é a Quimiparque, não é a única. A empresa vai avançar já com a instalação, no interior da Quimiparque, de uma pequena empresa.”

Entidade gestora do Património

Que pensa da classificação do Bairro Operário, como património de Interesse Europeu?
“Estamos a analisar a hipótese de constituir uma entidade, conjuntamente com a Quimiparque, que possa vir a ser a gestora do património histórico-cultural-industrial, que nós consideramos de grande importância.
Essa será uma das áreas a integrar no conjunto do património.
Do nosso ponto de vista, o Bairro Operário deverá fazer parte desse conjunto de património histórico, assim como a Casa da Cultura, assim com o actual Museu, o Mausoléu, a Casa Museu Alfredo da Silva.
Estes seriam um conjunto de espaços a ser geridos por uma entidade que ficaria responsável pela gestão do património histórico e industrial.
Esta, sublinho, é uma proposta em aberto que nós consideramos muito interessante.”

Novas empresas na Quimiparque

Para finalizar pode dar-nos algumas pistas do que está ser preparado para as comemorações do centenário da CUF?
“Nós a ideia que temos é que as comemorações do centenário, além das comemorações do centésimo aniversário, em si mesmo, e do papel que a CUF, Quimigal, posteriormente, teve no desenvolvimento da região, no país e até na Península Ibérica, pois era o maior complexo industrial da Península.
Além dessa comemoração, o que gostávamos é que, mais que uma comemoração passadista, fosse uma comemoração que aproveitasse para projectar o concelho, para projectar aquele território, para reafirmar a importância que tem o emprego, o desenvolvimento económico, as novas tecnologias.
Se me perguntarem o que é que mais gostaria para comemorar este centenário, com maior alegria, não com maior sensibilidade e sentimento, esse será de outra maneira, mas para o comemorar com maior alegria, era que se implantassem, ali, novas empresas que criassem postos de trabalho, particularmente com novas tecnologias.
Isso, sim, era muito importante para o concelho do Barreiro e seria a forma, mais condigna de comemorarmos o centésimo aniversário”.


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