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Jaime Palma Outubro de 2005  
RUI VELOSO
“Um músico para além das modas”
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Ao longo dos últimos 25 anos, o nome de Rui Manuel Gaudêncio Veloso tornou-se no mais vivo dos símbolos da cultura “rock” em Portugal. Desde 1980, que vem concitando as atenções gerais, em relação às quais tanto público como critica tecem uma opinião global tida como elogiosa.

Um encontro de “experiências”

Em 1980, com 23 anos, forma a Banda Sonora com o baixista Zé Nabo e o baterista Ramón Galarza e lança o seu primeiro álbum, “Ar de Rock”, com letras de Carlos Tê e de António Avelar Pinho. Um verdadeiro abalo telúrico no meio musical português. Temas como “Rapariguinha do Shopping”, “Donzela Diesel”, “Sei de uma Camponesa” e o imortal “Chico Fininho”, seriam êxitos garantidos. Quanto a vendas, nem vale a pena falar: elas ultrapassaram as perspectivas mais optimistas: o álbum venderá 30.000 cópias e o “single” “Chico Fininho” 50.000 cópias num ano. Valores astronómicos para a época.

Ainda em 1980, a 2 de Setembro, no Estádio do Restelo, assegura a 1ª parte do Concerto dos POLICE, que vem rodar o seu terceiro álbum “Zenyatta Mondatta” perante 17.000 pessoas. Foi o princípio de uma vida musical de sucesso, que se mantém.

Um ano depois, O “single” “Um Café e um Bagaço” será um sucesso comercial e torna-se disco de ouro.

Era inesgotável a inspiração de Rui Veloso e do letrista Carlos Tê e em 1982, um novo trabalho de longa duração é lançado: “Fora de Moda”, tendo como técnico de som o nosso conterrâneo Tó Pinheiro da Silva ,ex Perspectiva, (na época membro da Banda do Casaco). Deste álbum saem músicas famosas como “Sayago Blues”, “Estrela de Rock and Roll” e “Balada da Fiandeira”.

A década de 80 vai passando e em 1983 uma nova obra é editada, “Guardador de Margens”, que inclui sons de metais em vários temas, uma novidade no panorama musical português da época, revelando temas como “Elegia Sanjoanina”, “Máquina Zero” e “A ilha”. É eleito pelo jornal “Sete” o “melhor álbum do ano”.

O Caminho para o Estrelato

Em 1984, Rui Veloso participa no Festival Cascais Jazz, e nesse ano grava um “single” publicitário da Região de Turismo da Costa Verde, enquanto prepara o seu quarto trabalho, que terá o seu nome.

Em 1986, também por encomenda, desta vez do M.A.S.P. (Movimento de Apoio “Soares à Presidência”) - sendo, simultaneamente, uma afirmação de cidadania – com letra do cineasta António Pedro de Vasconcelos, compõe e grava o “single” “Rock da Liberdade”.
Ainda em 1986, é editado o álbum “Rui Veloso” e nele pontificavam três “hits”, que vieram a ter o formato de “singles”: “Porto Côvo”, “Porto Sentido” e o “Negro do Rádio de Pilhas”. Tornou-se no maior sucesso da sua carreira até então, novamente eleito pelo Jornal “Sete” o “melhor álbum do ano”.

Impunha-se uma “tournée” nacional, 61 concertos, que terão como ponto mais alto desta maratona os espectáculos que se realizam a 4 e 5 de Junho de 1987 no Coliseu do Porto, aproveitando o momento para o registo do primeiro álbum ao vivo do músico, editado em 1988, com o título “Rui Veloso ao Vivo”, um sucesso musical que empolga os que o ouvem, desde as espiras iniciais.

Em Março de 1990, Rui Veloso concretiza um velho sonho. Actua em conjunto com B.B. King no Casino do Estoril e no Coliseu do Porto.

Mingos & os Samurais

Após breve retiro, a dupla Rui / Carlos Tê, começa a preparar o ambicioso duplo álbum “Mingos & os Samurais” que será editado a 7 de Agosto de 1990. Dele ressaltam os magníficos “Prometido é Devido”, “Não há Estrelas no Céu” e a “Paixão”...apesar do amor não ter ficado “nem meia hora”, este é um disco que fica pela vida fora.

Sete discos de platina, e 280 mil álbuns vendidos sobre a história ficcionada de um grupo musical dos anos 60 / 70. A digressão que se segue será um estrondoso sucesso. Em Dezembro de 1990, esgota o Pavilhão de Cascais, feito pela primeira vez alcançado por um artista português.

Em Maio de 1991, Rui Veloso desloca-se a Monte Carlo ao “World Music Awards” onde recebe o galardão “Best Selling Portuguese Artist”. Em Julho do mesmo ano faz a 1ª parte do Concerto de Paul Simon, no antigo Estádio José de Alvalade, onde actua para mais de 50.000 pessoas.

Os Descobrimentos

Em 1991, é editado o duplo conceptual “Auto da Pimenta”. Esta obra havia sido encomendada pela Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Temas como “Logo que passe a Monção” e “Mulher d’Armas” seriam lançados em “single”. A digressão que se segue, terá como ponto alto o Concerto em Sevilha, durante a Expo 92. Nesse ano grava com Nuno Bettencourt, Carlos Paredes, Rão Kyau e Paulo Gonzo, o tema “Maubere”, a favor da causa Timorense.

Em 1994, é editada a compilação promocional “Rui Veloso”.

Lado Lunar e Avenidas

“Lado Lunar” de 1995 e “Avenidas” de 1998 são (até ao fim deste ano) os últimos trabalhos de estúdio de Rui Veloso que mantêm o encanto e a elegância poética-instrumental. Em 1999, compõe o tema “Não me Mintas”, para o filme “Jaime” de António Pedro Vasconcelos. Em 2000, foi editada a colectânea “O melhor de Rui Veloso”. Também no mesmo ano, é editado o álbum-tributo aos 20 anos de “Ar de Rock”, no qual artistas e grupos portugueses e brasileiros reinterpretam este mítico trabalho, prestando, desta maneira, homenagem ao músico responsável pelo desbravar do Rock cantado em português.

Em 2003 grava o duplo ao vivo “O Concerto Acústico” e é com este disco que inicia a digressão que terá como grande momento o dia 29 de Maio de 2004, no Rock in Rio, em Lisboa, onde actua com Gilberto Gil, interpretando ambos “Imagine” de John Lennon.

Em Setembro de 2004, grava o tema “Temos um Sonho” da autoria de Pedro Campos para a Fundação do Gil. Ainda em 2004, nova compilação, “A Paixão”.

Rio Grande e Cabeças no Ar

Em 1996, ao lado de Vitorino, Jorge Palma, João Gil e Tim, estreia-se nos “Rio Grande”, com letras de João Monge e músicas de João Gil. Um disco sobre a história de um Alentejano que vem viver para Lisboa.

E em 2002, já sem Vitorino, os “Cabeças no Ar” representam nova reunião de todos os restantes membros para mais um disco conceptual, sobre a escola, os amores e as aventuras da adolescência, com letras de Carlos Tê e músicas de Rui Veloso e João Gil.

As Bodas de Prata

Muito haveria a escrever sobre este nome incontornável da música portuguesa. Em 6 de Julho último, no Teatro da Luz, em Lisboa, apresenta a sua editora, Maria Records, que visa preencher uma lacuna no mercado discográfico português, relativamente a artistas e grupos nacionais, que esperam uma oportunidade para singrar perante o grande público.

Rui Veloso comemora este ano 25 anos de Carreira, prevendo-se ainda o lançamento, para breve, de uma biografia e do seu novo trabalho de estúdio. Março de 2006 é o mês previsto para a relização dos grandes concertos: no Pavilhão Atlântico em Lisboa e no Coliseu do Porto.

Rui Veloso, o músico que nasceu em Lisboa e cantou o Porto como poucos.
Venham mais 25 anos de boa música. Um grande abraço!


   
               
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