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Auto - Retrato
 
 
   
  Américo da Silva Marinho nasceu em 1913, no Barreiro. Aos 7 anos, ao observar umas estampas Greco-Romanas descobriu o desenho. Na Escola Primária fazia pinturas que deliciavam a sua professora, copiava as caricaturas coloridas de Amarelhe e desenhava os grandes actores: José Ricardo, Chaby Pinheiro, Eduardo Brazão e Augusto Rosa, entre outros. Aos 12 anos desenhou a lápis os seus primeiros retratos ao vivo, do natural. Foi para o liceu e aos 13 anos faltou a algumas aulas para contemplar os quadros do Museu de Arte Contemporânea. Aqui conheceu, por acaso, Columbano que, foi o seu cicerone e o acompanhou na visita ao Museu.
Em 1927 ingressou na Escola de Belas Artes. Foi o aluno melhor classificado, sendo conhecido pelo "Três Vintes". Os seus desenhos passaram a figurar na galeria de honra da Escola de Belas Artes, onde se encontram os grandes Mestres do nosso País. Durante três anos consecutivos conquistou os Prémios Lupi e Ferreira Chaves, instituidos pelo concurso da Academia de Belas Artes.
O Instituto de Arte e Cultura, promoveu um concurso de Bolseiro do Estado, para Paris, no qual participou e desenvolveu o tema "Camões e as Tágides". Embora não tenha sido seleccionado obteve classificação em absoluto. O seu não apuramento foi motivo de protesto por parte de alguns Mestres, entre os quais, Abel Manta, que sublinhou o realismo, a prática do nú, a composição e a inteligência do artista Américo Marinho. Este e outros factos levam-no a optar pelo ensino. Vai como professor para a Ilha da Madeira. Em 1938, está presente na 1ª Missão Estética de Férias que se realizou em Guimarães, o seu trabalho sobre costumes e tradições foi um sucesso.
Faz uma monografia ilustrada com Guilherme Camarinha e Jorge Maltieira, nesta época, criticos Ingleses e Brasileiros consideram-no um dos maiores desenhadores clássicos europeus.Queriam lançá-lo no meio artistico, fizeram-lhe propostas de Bolsas para a Itália, mas a sua opção pelo ensino estava tomada.
No Barreiro esteve ligado ao Grupo apaixonado pela arte, literatura e poesia, conhecido pelo Senáculo Bocage.
No Clube 22 de Novembro promoveu Cursos de Desenho e Pintura.
Américo Marinho era um apaixonado por Alburrica devido à sua atmosfera luminosa e húmida. A sua obra de arte era um prolongamento e recriação da natureza, das vivências do seu inconsciente e das paisagens exteriores. Através da sua actividade pedagógica procurou transmitir aos alunos o seu saber, estabelecendo uma simbiose entre a Arte e o Ensino.
Ao longo da sua vida esteve presente em dezenas de exposições, estando a sua obra espalhada pelo mundo e com ela o Barreiro.
Residia em Santarém, Cidade onde leccionou , durante vários anos, até à reforma. Há muitos anos que tinha deixado o Barreiro, mas trazia a sua terra no coração mantendo laços de amizade e fraternidade com esta terra, laços esses bem patentes na criação do Prémio de Desenho Américo Marinho instituído pela CMB.
No dia 24 de Fevereiro de 1997 deixou-nos, criando um espaço insubstituível no coração desta cidade.

Paulo Santiago
 
     
 
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