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Os últimos dias da Monarquia, Livro do Historiador Jorge Morais

Publicado em 1 de Outubro de 2010 por Jornal de Oleiros

O Papel dos Monárquicos na Implantação da República no Livro “Os Últimos Dias da Monarquia”, de Jorge Morais

A Trégua Frustrada: O Desconhecido “Pacto Liberal” de 1908 entre

Republicanos e Monárquicos

O escritor e investigador Jorge Morais (autor de, entre outras obras, “Regicídio – A Contagem Decrescente”) dá a conhecer um aspecto pouco conhecido da história por detrás da implantação da República, no dia 5 de Outubro de 1910.
O então chamado “Pacto Liberal”, que em 1908 juntou monárquicos e republicanos, pouco depois de ocorrido o regicídio que ceifou a vida ao Rei D. Carlos, procurava o restabelecimento da paz entre ambas as partes. Este pacto permitiria aos republicanos libertarem-se da má fama do regicídio e daria aos monárquicos uma nova oportunidade para tentarem salvar o reinado. Porém, devido à feroz oposição de um dos líderes monárquicos, tal nunca singrou, acabando esta não aceitação por conduzir à inevitável implantação da República.

Apesar da importância deste pacto para a compreensão do processo republicano português, este tem permanecido até hoje omisso na história “oficial” deste tão importante período da história de Portugal.
Pelo seu reconhecido rigor histórico, Jorge Morais tem participado em diversos colóquios e actividades relacionadas com a temática do regicídio e da implantação da República. O próximo colóquio onde estará presente, juntamente com outras personalidades de renome, será em Vila Real de Santo António, no dia 4 de Outubro, e que se intitula “Da Monarquia à República”.

SOBRE A OBRA

Em Abril de 1908, pouco depois do regicídio, dois dirigentes republicanos e um áulico da Corte de D. Manuel II congeminaram, em casa de Bernardino Machado, um pacto de tréguas que convinha às duas partes: exonerando os republicanos da má fama de envolvimento na matança do Terreiro do Paço, daria à Monarquia o “benefício da dúvida” e ao regime um último fôlego, tão necessário no início do novo Reinado.
Apesar de acarinhado pelo jovem Rei e apoiado pelo primeiro-ministro, o pacto foi frustrado nos corredores do Poder pela feroz oposição de um dos líderes monárquicos; e a sua inviabilização esteve na origem da opção revolucionária dos inimigos do regime, que acabaria por conduzir à instauração violenta da República, em 5 de Outubro de 1910.Apesar da sua importância para a compreensão do processo republicano português, o “Pacto Liberal” (como então se lhe chamou) tem permanecido até hoje omisso na história “oficial” do período. É dessa trégua gorada que este livro se ocupa, documentando os últimos dias de um regime condenado pela cegueira de muitos e pela ambição de alguns.
Em 6 de Outubro de 1910, telegrafando o fim da Monarquia para a Gazeta de Notícias,do Rio de Janeiro, Eduardo Schwalbach escreveu com uma ironia de fel: «Ao cabo de longos e porfiados esforços, os monárquicos acabam de implantar a República em Portugal.»
Escreve no prefácio da obra o Prof. Doutor António Reis: «Obra lúcida e certeira, que vem enriquecer sobremaneira a historiografia deste período.» (…) «Jorge Morais tem-se afirmado nos últimos anos como autor de brilhantes ensaios historiográficos, baseados em sólidas pesquisas de fontes […].Dotado de um notável poder de síntese e servido por uma escrita ágil e fluente, Jorge Morais conseguiu prender o leitor da primeira à última linha sem nunca sacrificar o rigor da investigação ou evitar a convocação do imprescindível corpus documental.»

SOBRE O AUTOR

Com a presente obra, Jorge Morais encerra um ciclo de estudos e ensaios sobre o período de transição da Monarquia para a República em Portugal. Das suas pesquisas resultaram, entre outros, os seguintes trabalhos: «O Desembarque» (estudo sobre a partida da Família Real para o exílio, in O Embarque – Um Dia na História de Portugal) e “Com Permissão de Sua Majestade” (ensaio sobre a participação da Maçonaria e da Família Real inglesa no 5 de Outubro de 1910). Na Zéfiro publicou “Regicídio – A Contagem Decrescente” (investigação sobre a preparação do assassínio do Rei D. Carlos e do Príncipe Real). É também autor, entre outras obras, de “Dom Duarte” (perfil biográfico do 22.º Duque de Bragança); “Aventuras Trans-Ideológicas – Alteridade e Transgressão” (ensaio sobre a deriva política do poeta Ezra Pound); e “Rua do Ácido Sulfúrico” (estudo sobre Alfredo da Silva e as políticas sociais da CUF). Em 2006 foi-lhe atribuído o Prémio Bocage de Ensaio pelo livro “Bocage Maçon” (estudo bibliográfico sobre o Iluminismo Maçónico em M. M. Barbosa du Bocage).

 

 
   
 
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