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Mercedes Sosa  

Luciano Almeida Filho (BR)

05 Out 2009

 
Mercedes Sosa
 
Último voo de Liberdade
     
 



Morreu na manhã de ontem em Buenos Aires, a cantora argentina Mercedes Sosa, aos 74 anos. Ela estava internada devido a uma crise hepática agravada por complicações respiratórias. Sosa foi uma das principais intérpretes de canções de protesto da América Latina, imortalizando músicas como Gracias a la vida

Com uma voz de rara emotividade e profundidade, a cantora argentina Mercedes Sosa se tornou uma espécie de porta-voz da resistência latino-americana contra as ditaduras que por aqui se instalaram entre os anos 60 e 80. Uma força interpretativa tal que a tornou um dos ícones da música de seu país - perdendo apenas para ídolos do porte de Carlos Gardel e Astor Piazzolla. Mercedes faleceu na manhã de ontem, aos 74 anos, em Buenos Aires depois de 16 dias de internação devido a uma crise hepática, que se tornou mais grave com complicações respiratórias e renais.

Sosa tinha ainda muitos planos de continuar cantando por muitos anos. Em sua última visita a São Paulo, em 2007, quando questionada se seria seu show derradeiro no Brasil, retrucou dizendo que ainda tinha planos de voltar ao país várias vezes e até gravar um disco só com seus ``amigos brasileiros``. Devido à saúde debilitada, mal pode fazer o trabalho de divulgação de seu último álbum, Cantora, lançado no primeiro semestre, que contou com participações de Shakira, Juan Manoel Serrat e Caetano Veloso.

Além de suas qualidades como intérprete, Mercedes Sosa tinha também a generosidade de fazer amigos por onde passava, o que a fez a porta-voz de todo um continente, gravando autores chilenos, peruanos, colombianos, venezuelanos, peruanos, brasileiros e, claro, seus conterrâneos. São delas os principais registros de canções dos chilenos Violeta Parra e Victor Jara, argentinos como Ariel Ramirez, Atahualpa Yupanqui, Leon Giéco e Victor Herendia, e cubanos como Silvio Rodriguez e Pablo Milanês.

Trajetória
Nascida na província de Tucumán, norte da Argentina, em 9 de julho de 1935, Haydée Mercedes Sosa começou cantando em emissora de rádio local, nos anos 50. O primeiro disco só viria em 1965, Canciones con Fundamento, logo após se destacar nacionalmente no Festival Nacional de Folklore de Cosquín, época que já estava engajada no movimento da canção folclórica argentina. Logo desenvolveria carreira internacional, cantando nos principais festivais da América Latina e Europa, ampliando sua influência pelo mundo.

Militante ativa, muitas vezes seus shows eram proibidos em países dominados por ditaduras militares, como no Chile. Em 1979, em apresentação em La Plata (Argentina), teve seu show interrompido e ela e toda a plateia presa. Mercedes então vai para o exílio, inicialmente em Paris (França) e depois em Madri (Espanha), voltando apenas em 1982. Sua última participação política em seu país foi o apoio dado à campanha da atual presidente Cristina Kirschner.

No Brasil, Mercedes Sosa fez sucesso com seus duetos com Milton Nascimento (Volver a Los 17) e Fagner (Años). Gravou com grande êxito internacional Cio da Terra, parceria de Milton e Chico Buarque. Ela ajudou a divulgar o nome de artistas brasileiros pela América Latina, fazendo inclusive sucesso num dueto com Beth Carvalho em Solo le Pido a Diós, entre outros.

"LA NEGRA"
 
           
   
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