Cândido Lopes - Pintor Barreirense
Texto da autoria e da responsabilidade de Carlos A. Silva Pais, barreirense, 2007/08
  Cândido Lopes, desenhador, pintor naturalista barreirense
   
  A “revolução na madeira”   Américo Marinho
   
    A Holanda   Manuel Cabanas
E quando a consagração?
Cândido Lopes
Cândido Lopes nasceu em 26 de Junho de 1925 na actual rua António José de Almeida, em casinha situada num quintal. O pai era pedreiro, a mãe vendedoura na praça. Frequentou a primária no antigo Instituto dos Ferroviários, quando já sobressaía a sua arte com o lápis. Em garoto desenhava painéis publicitando frutas e legumes que ia colocar no lugar de vendas materno.
O desenhador e pintor de arte não foi, propriamente, um autodidacta. Frequentou a Escola António Arroio, em Lisboa, onde concluiu um curso de pintura. Adolescente, recebeu em 1938/41 aulas de pintura do Mestre Américo Marinho
, num curso levado a efeito no saudoso Clube 22 de Novembro. Seus condiscípulos foram Ilídio Marquês, Alberto Branco e Olímpio Mira Coelho.

Ocorreu elogiada exposição no final do curso. (Existe uma xilogravura em que se vêem o grupo e o mestre, da autoria de Manuel Cabanas, desenho de A. Marinho).   
Ainda jovem, o Cândido trabalhou como conferente de cargas no cais da CUF: “Trabalhava de fato normal e gravata”. Transitou para uma secção de desenho daquele empório, onde revelou talento natural. Com a sua capacidade poderia ter ficado por lá até à reforma, mas o pendor para a controvérsia e a rebeldia impossibilitaram-no. Deixou bem cedo a CUF, tornou-se algo isolado.

O engenho pictórico de Cândido foi-se aperfeiçoando sobremaneira. Muitos começaram a encomendar-lhe telas a óleo, que ele - em momentos de maior necessidade - pintava “na brasa”, vendendo-as quantas vezes a preços irrisórios. Durante tempos, foi bem capaz de executar travessuras de tomo. Uma vez aceitou a tarefa de pintar a óleo a esposa dum licenciado não barreirense. Mas embora a formosa senhora posasse bem vestidinha, o artista não se conteve e, já só, acabou por reproduzi-la muito desnudada... A coisa chegou aos ouvidos do marido, do que resultou um sarilho dos diabos... Era o Cândido... Por vezes,  quando sentado num café, após um ou outro bagaço, era muito capaz de, na melhor das calmas, largar umas “biscas” picantes, piadéticas ou não, que podiam enxofrar este ou aquele. 
Outras exposições realizaram-se com obras suas, como em Torres Novas (1941), na Escola de Artes Plásticas de Lisboa (1950). Trabalhou como auxiliar de decoração em filmes, como o “Leão da Estrela”.
Em meados dos anos 40 já o Cândido frequentava, com a maior assiduidade, o Café Barreiro (que muitos anos depois se chamaria Praiense). Tomava lugar nas mesas mais ao centro, onde se acotovelavam tertúlias, também de conhecidos intelectuais, em boa parte jornalistas. Acentue-se que o Cândido concebeu, nas mesas do Café Barreiro, largas dezenas de desenhos (p. ex. de vultos camarros e nacionais, de imagens da vila) que Cabanas reproduziu em buxo.
Texto da autoria e da responsabilidade de Carlos A. Silva Pais, barreirense, 2007/08
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