JOSÉ CARO PROENÇA
 
Com 21 anos ao sair dos Pupilos do Exército de Terra e Mar a 31 de Julho de 1943
   
Fotografias: acervo JCP/Ferreira da Luz
Coordenação: artbarreiro.com
     
Texto: Jaime Palma
   
I – Proémio Identificativo – Justificativo

JOSÉ CARO PROENÇA (JCP) nasceu no Barreiro, há 82 anos (3 Março 1922), sob a Máxima de Juvenal: “MENS SANA IN CORPORE SANO” (Alma sã em Corpo são).
Virtude então cultivada pela generalidade do, hoje em dia, designado “Barreiro Velho”. Este, atributo dignificante da Memória do Povo que fomos e somos, e catalizador do provir.
Assim foi a infância de JCP (1922-1934), ao conhecer e conviver com alguns dos vultos barreirenses de grandes qualidades, a nível local e nacional, no Desporto e na Cultura.
No âmbito desportivo, JCP, em especial (sem tirar o devido mérito a outra actividades, inclusive náuticas), recorda a famosa “escola de futebol” artístico e científico, barreirense, criada por Augusto Sabbo (engenheiro português). Sem dúvida, o melhor e mais erudito treinador nacional, de futebol, do seu tempo; autor de um inédito e valioso tratado, teórico e prático, da popular modalidade.
A “escola de futebol” do Barreiro, criada por Augusto Sabbo, deu futebolistas da estirpe de: Raúl Jorge, Pedro Pireza, João Pireza, Francisco Câmara, Manuel Pireza, João Azevedo, Alexandre Almeida (pai de José Augusto, famoso bi-campeão europeu de futebol, pelo Sport Lisboa e Benfica – de Bela Guttman), Artur Baeta (como díscipulo fiel de Augusto Sabbo), etc.
No aspecto cultural, JCP, evoca os saberes emergentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial, mediante a construção do caminho-de-ferro a sul do Tejo, a partir do Barreiro (sítio da Verderena). Berço e baptistério, no dizer de JCP, da “Cultura Ferroviária” local e nacional.
Num outro patamar da Cultura barreirense, seguem-lhe os saberes e fazeres de João do Carmo, Aníbal Pereira Fernandes, Domingos da Luz, Herculano Marinho, José Augusto “da Romana”, Nobre Madeira, Miguel Correia, Manuel Cabanas e (além de muitos, muitos, mais) seus epígonos, directos e colaterais: de Américo Marinho a Joaquim Cabeça Padrão, Armando Silva Pais, Manuel Figueira, Augusto Cabrita, João Liberal, Cândido Lopes, Belmiro Ferreira, António Teixeira, João Caeiro de Sousa, José Rodrigues Branco, etc., etc.
Naturalmente, foi imbuído dos genes desportivo-culturais desses grandes barreirenses que, JCP, ingressa no Instituto Militar dos Pupilos – onde permanece internado, durante 9 anos (1934-1943). Espacialização de tempo delimitada pelas condições de “caloiro” e de “comandante de companhia” (foto 1).
Nesse Instituto, JCP, adquire sólida formação cívica e conhecimentos profissionais – no domínio da engenharia eléctrica e mecânica, científica e aplicada -, a par da educação gimno-desportiva de eleição. Disto é exemplo a integração de um aluno de boas qualidades atléticas na comitiva olímpica portuguesa aos históricos Jogos de Berlim (1936). Facto incentivador dos nobres ideais helénicos ainda na puerícia de JCP.
Sentimentos que este tornou realidade presencial, outiva e participativa, nos Jogos Olímpicos de Helsínquia (1952), como “repórter” credenciado pelo Comité organizador (Comité Olímpico Finlandês).

 
     
   
     

Jaime Palma

Barreiro, 5 de Outubro de 2004