Fernando Sales Lopes Macau, 15 de Setembro de 2004  
 
   
SERRA DA ARRÁBIDA
A Frei Agostinho da Cruz,
a Sebastião da Gama
e a todos nós que de ti
recebemos a bênção!
 
 
                     
        Talvez tenha sido
        assim o Princípio.      
        O negro. Total.      
Na paz dos elementos
 
           
  Esperemos então.... 
           
   
Como uma visão
apocalíptica
os teus neurónios
deambulam perdidos
sem corpo
e sem alma
       
 
O que nos querem vocês dizer
           
apontando em todos os sentidos
 
           
para a imensidão do universo?
 
           
Talvez da vida!
 
                               
Curvada, impotente?
Ergue-te rainha!
Que tu jamais te renderás
à escravidão do desespero
               
 
     
         
As tuas mãos inertes e ressequidas
apontando o infinito
num grito de vitória
      E há como que um grito
a rasgar a terra:
Água, água, água!
Dêem-nos água
e o milagre acontecerá!
(Na Alquimia da criação
na força de querermos viver!)

 
Deixa-me acariciar-te!
Passo, lentamente, por entre as tuas veias
carbonizadas em réstias de esperança...
mas o meu coração, num aperto sem palavras
desfaz-se em cinzas
que as minhas lágrimas não transformam!

     
                               
          E se tudo isto não passasse de um pesadelo?
Se fosse um sonho!
Apenas um sonho erótico de adolescente?
E que te tenhas despido (só para mim...)
... apenas porque é Outono!

                               
                           
Como é belo o que de ti ficou!

Para onde nos levará o caminho
na procura do Tao?

Eis a linha do princípio dos princípios
que te prende à terra e te leva às origens
na esperança da transformação

Vê!
Vê quanto da tua seiva milagrosa
do húmus, da pedra onde te sustentas...
não são sofrimento transformado em renovação!

 
                 
Tu sabes...
Por isso estás tão bela...
Tão bela!
Depois da violação!

Sempre bela minha Amante!
Que te redescobres agora
em pinturas de um mestre
Que só tu conheces

E eis que a natureza se transforma
e uma lava suspensa
nos inebria os sentidos

Enquanto o infinito
nos anuncia a renovação
e a vida!

Talvez por isso...
Também o azul
ficou mais azul!

Das cinzas renascerás uma vez mais!

E os poetas...
Os teus Poetas!
Poderão viver para sempre em Ti!

E neles viverás para sempre!